Passadas as festas de fim de ano, começa a abertura dos ciclos de festas de vários terreiros de Salvador. Amanhã, sábado, por exemplo, tem celebração no Ile Ase Omi Dola, a partir das 20 horas.
E a festa será muito especial, pois acontecerão as confirmações do ogã Felipe e da ekede Susane para a Oxum de Mãe Risoleta Fonseca, que é a ialorixá da Casa.
O terreiro fica na Rua 23, número 24, 1ª etapa, Castelo Branco.

Mãe Stella faz preciosa reflexão sobre o Jogo de Búzios. Foto: Margarida Neide /Ag. A TARDE/ 08.11.2011
Maria Stella de Azevedo Santos
Este é um artigo que possui objetivo esclarecedor. Tentarei tornar compreensível um assunto que surge todo princípio de ano. A imprensa faz reportagens e as pessoas indagam uma das outras ou perguntam a si mesmas sobre o orixá que influenciará o novo ano que surge. Fazem isso na tentativa de adivinhar o que é preciso ser DIVINADO.
Adivinhar é fazer conjecturas sobre um tema usando a intuição, o que todo ser humano pode fazer. Divinar, todavia, é entrar em comunicação com o sagrado, através de rituais guiados por sacerdotes. É claro que todo ser vivo, por possuir uma parcela divina, é capaz de se conectar com os deuses. Mas a utilização de oráculos, os quais fornecem informações mais precisas sobre o destino da comunidade, requer uma preparação especial e um estilo de vida que propicia à intuição, inerente a todos, apresentar-se de maneira muita mais clara. A intuição se transforma aqui em revelação: quando os véus que encobrem os mistérios são retirados pelos deuses, a fim de que nossa jornada aconteça de uma maneira orientada e, assim, possamos cumprir a tarefa que nos foi legada com o mínimo de percalços possível, o que torna a vida bem mais leve.
Os leitores acostumados com os artigos que escrevo poderão estranhar a formalidade deste texto. É que “há tempo para tudo”: para contar anedotas, falar poesias, refletir sobre a vida… Esse tema pede seriedade! Faço isso porque creio ser a imprensa o meio ideal para esclarecer assuntos, que só não são melhor comentados por falta de oportunidade e conhecimento. Tendo agora essa oportunidade que me é dada pelo jornal A TARDE não quero desperdiçá-la. Mesmo tendo eu a consciência de que nada se modifica de um dia para o outro, aproveitarei o momento para tentar fazer com que a população melhor compreenda as respostas do oráculo trazido pelos africanos para o Brasil, esperando que as sementes aqui jogadas possam um dia florescer e dar bons frutos.
A pergunta correta não é qual o orixá que rege o ano, e sim qual o orixá que rege o ano para aquelas pessoas que cultuam estas divindades e estão vinculadas à comunidade em que o Jogo de Búzios foi utilizado. Se isso não for bem esclarecido e, consequentemente, bem compreendido, parece que todos os sacerdotes erram em suas respostas, uma vez que uma Iyalorixá diz que o orixá do ano é Iyemanjá, enquanto outra diz que é Oxum, ou um Babalorixá diz que é Oxossi. Mesmo correndo o risco de o texto ficar enfadonho, insistirei em alguns pontos, a fim de elucidá-los melhor. No nosso Terreiro, o Ilê Axé Opo Afonjá, o regente do ano 2012 é Xangô. A referida divindade, que se revelou no Jogo feito por mim, não está comandando o mundo inteiro, nem mesmo o Brasil ou a Bahia. Ela é o guia das pessoas que, de uma maneira ou outra (mais profunda – como é o caso dos iniciados; ou mais superficial – os devotos que freqüentam a “Casa”), estão vinculadas a mim enquanto Iyalorixá, ou ao Terreiro em questão.
O leitor, diante dessa explicação, poderá ficar confuso e sentir necessidade de perguntar: “E eu, que não cultuo orixá e não tenho relação com o Candomblé, não serei orientado nem protegido por nenhuma divindade?”. A resposta é: Claro que sim! Por aquela que você cultua ou acredita. Um católico, ou um protestante, será guiado pelos ensinamentos de Jesus; um budista, pelas sábias orientações de Buda… Outra pergunta ainda poderá surgir: “E quanto às pessoas que não são religiosas, elas ficarão a toa?”. Não, é claro que não. Essas serão guiadas e orientadas pela natureza, que é a presença concreta do Deus abstrato. Seus instintos, protegidos por suas cabeças e corações, conduzirão suas vidas de modo que seus passos sigam sempre na direção correta.
Que Xangô – divindade da eloqüência, da estratégia, do fogo que produz o movimento necessário a todo tipo de prosperidade – possa receber, de meus filhos espirituais, cultos suficientes para que fortalecido possa torná-los cada vez mais fortes para enfrentar as intempéries que todo ano traz consigo. Obrigado Ano Velho pelas experiências passadas para Ano Novo.
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá
Aproveitando o clima de Ano Novo quero dividir com vocês um tema bem pertinente a essa época. Nas últimas três semanas amigos, principalmente os jornalistas, têm me perguntado por questão profissonal ou apenas curiosidade qual é o orixá que vai reger 2012 ou sobre rituais para a passagem de ano. É um assunto sobre o qual tenho muito cautela na hora de responder e já digo porquê.
Uma certa feita fui procurada por um colega que queria que eu indicasse um terreiro de candomblé para onde seriam levadas três bandas de música em início de carreira para que fossem feitas previsões com o uso de búzios sobre as suas possibilidades de sucesso. No final do ano, iríamos checar se as previsões se concretizaram.
Eu, gentilmente, lhe respondi que as sacerdotisas e sacerdotes que conheço jamais iriam aceitar uma proposta como essa. Ele me disse que entendia, mas notei que ficou um pouco insatisfeito.
Por isso, estava com muita vontade de dividir esse tema com vocês, afinal tem muita gente de candomblé que acompanha esse blog.
Lembro que há alguns anos fiz uma matéria para o jornal A TARDE a pedido de sacerdotisas e sacerdotes de candomblé que estavam preocupados exatamente com o que chamam de “banalização” de oráculos como o jogo de búzios.
Para alguns deles, é incômodo ver as famosas previsões nas mais variadas mídias sobre possíveis catástrofes, resultados econômicos e, principalmente, a vida pessoal de celebridades.
O tata de inquice, Anselmo dos Santos, do Terreiro Mokambo me contou que foi convidado pela produção de um telejornal local para jogar os seus búzios e responder se o Bahia e o Vitória iriam voltar para a primeira divisão do campeonato de futebol nacional. Sua resposta foi a seguinte:
“Meus búzios são coisa muita séria para responder sobre futebol. Agora se vocês quiserem me chamar para falar em um matéria sobre a importância deles na nossa religião e o seu sentido estou à disposição”. A proposta,curiosamente, não foi aceita.
Pai Air José, babalorixá do Pilão de Prata também tem uma posição parecida. Tataraneto do celébre Bamboxé Obitikó e oluô (sacerdote de Ifá) por herança e vocação, ele me deu uma longa entrevista para um matéria sobre a importância do oráculo e explicava que não poderia falar sobre o que ia acontecer com o então presidente Lula se ele não estava à sua frente na hora do jogo consultivo.
O sábio professor e religioso do candomblé Jaime Sodré gosta de lembrar que embora a expressão conhecida seja “jogo de búzios” na verdade eles fazem a confirmação do que a alta sacerdotisa ou alto sacerdote, preparado para esta ação, enxerga com a sua clarividência, uma virtude que não é compartilhada por todo mundo.
Sobre o orixá que vai reinar lembro que Pai Air me disse que só dá para saber sobre uma coisa que começou, ou seja, no primeiro dia de um novo ano. Para muitas comunidades religiosas, o reinado da divindade se refere ao seu território específico, ou seja, seu terreiro, daí que os seus líderes se reservam ao silêncio quando procurados para entrevistas a meios de comunicação sobre qual orixá vai reinar no ano.
Comecei a observar que muitas vezes os jornais, revistas e TVs fazem matérias com base num cálculo que leva em conta o número em que termina o ano ou o dia da semana em que ele começa para indicar a divindade que vai reinar.
Será que este não é um tema, então, sobre o qual devemos ter cada vez mais cuidado? Afinal, o jogo de búzios e as coisas que eles indicam são uma das coisas mais complexas do candomblé. Pode ser uma boa reflexão para esse novo ano.
Votos de um 2012 feliz, direto do Mundo Afro
postado por Cleidiana Ramos @ 11:09 AMPrezadas e prezados amigos do Mundo Afro: chegamos ao fim de mais um ano. Diferente de 2010 não ficamos tão juntos neste último semestre, o que lamento muito, pois os nossos diálogos aqui são sembre motivo para crescimento pessoal e profissonal.
Portanto, essa distância é realmente motivo de força maior, como já expliquei em um post anterior, por conta de novas exigências prfissionais que cresceram nos dois últimos meses.
Mas espero que eu consiga me organizar melhor em 2012 para conciliar as minhas responsabilidades com esse espaço de interação onde podemos discutir sobre temas que me são tão caros.
No mais, desejo a todos um 2012 repleto das mais valiiosas e benéficas energias. E que o Novo Ano seja ainda mais propício às nossas lutas contra o preconceito, o racismo e a intolerância religiosa.
Um abraço cheio de axé a cada um de vocês.
Balaio de Ideias; Atire a primeira pedra…
postado por Cleidiana Ramos @ 2:21 PMMaria Stella de Azevedo Santos
…aquele que não fala da vida alheia. Esse é um comportamento comum aos humanos porque somos seres que vivemos em sociedade e temos o poder da fala. Se entendêssemos a linguagem dos animais tidos como irracionais, com certeza ouviríamos um falando do outro. Quanta gente, neste exato momento, não está falando de mim ou de você, meu querido leitor? Não estou dizendo que estão falando mal ou bem, mas que simplesmente estão falando. Quantos não estão comentando a vida das “celebridades”?
Parece que nossa língua gosta de trabalhar. Também, é o único músculo voluntário do corpo que não fadiga… É um órgão fantástico e que por isto mesmo deve ser usado com cautela, pois ele é considerado como uma chama que queima ou uma navalha que corta. Muitas tradições só consideram que o homem é dono de si quando adquire controle sobre sua língua. O candomblé não foge a essa regra e tem como um de seus fundamentos o ato de separar e guardar um precioso axé: determinado objeto que simboliza o “segurar da língua”.
Consciente da importância de se ter domínio sobre o órgão responsável pela fala, pois todos nós sabemos o poder que ela possui, muito observei e refleti sobre o referido assunto. Impressionava-me o fato de que os comentários sobre os outros nunca eram referentes aos pontos positivos que eles possuíam. Confesso que algumas conclusões me surpreenderam. Nunca imaginaria que se fala da vida alheia apenas pelo fato de não encontrar na própria vida temas interessantes o suficiente para serem dignos de registro, fazendo com que se busque preencher o vazio da existência com emoções ainda mais vazias. Algumas pessoas vão além: aproveitam-se do dito popular “quem conta um conto aumenta um ponto” e enfeitam a estória com efeitos dramáticos, para que o outro sofra um impacto e o êxtase seja então alcançado.
Certa vez uma filha minha me procurou preocupada por não conseguir guardar segredos. Entendi que ela já tinha conhecimento que controlar a língua é fundamental para qualquer pessoa, principalmente para um sacerdote. Preparei e lhe dei um pó de axé, dizendo-lhe que ele tinha um grande poder e que lhe seria de muita ajuda, mas que seria a força de sua vontade o maior de seus aliados. Meses depois, ela voltou a falar comigo. Mais serena e segura, porém um tanto envergonhada, pediu-me para contar uma parábola que não fazia pertencia a nossa religião. Não sabia ela o grau de curiosidade e interesse de que fui tomada, pois busco aprender com tudo e com todos. Permissão concedida, minha filha começou a relatar a estória:
“Uma senhora que, como eu, minha mãe, estava triste por ter o hábito de fofocar, foi buscar ajuda com um padre. Ela estava arrasada porque um de seus comentários, que lhe pareceu no momento em que falou muito inocente, teve resultados desastrosos. Além de ter espalhado-se como pólvora, constituía-se uma inverdade, que ela ao ficar sabendo não teve o devido cuidado de confirmar sua veracidade. Enfim, ela não cometeu ‘apenas’ o erro da fofoca; ela caluniou e difamou, atos sérios que são passíveis de penalidades judiciais. Mas não era essa sua maior preocupação. Ela realmente estava arrependida de ter prejudicado um ser humano; de ter feito com o outro aquilo que não gostaria que fizessem com ela. A senhora queria saber do padre o que poderia fazer para consertar seu erro. Ele lhe passou uma penitência: que matasse uma galinha, tirasse suas penas e as trouxesse para ele. Quando ela trouxe as penas para o padre, ele mandou que ela fosse até uma montanha, jogasse as penas para o ar e que logo em seguida as recolhesse, uma por uma. A senhora, assustada, respondeu que aquela era uma tarefa impossível. Ao que o padre retrucou: ‘simples’ fofocas ou sérias difamações, assim como essas penas, depois de espalhadas é impossível recolher os malefícios que elas causam. Pense nisso e aprenda a controlar sua língua, para que não lhe digam, em forma de brincadeira, uma coisa que deveria ser vista com extrema seriedade: quando você morrer, seu corpo vai em uma caixa de fósforo e a língua em uma carreta.”
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Seu artigo é publicado, quinzenalmente, às quartas-feiras no jornal A TARDE.
Mundo Afro continua na área,sempre que possível
postado por Cleidiana Ramos @ 2:21 PMCar@s: tem muita gente perguntando porque o Mundo Afro está ficando tanto tempo sem ser atualizado. Respondo que é por minha culpa e já me explico. Como vocês sabem, o Mundo Afro está hospedado no Portal A TARDE Online, um dos canais do Grupo A TARDE do qual sou funcionária.
Já o meu trabalho mais amplo acontece no canal mais antigo do grupo que é o Jornal A TARDE, onde atuo como repórter especial. Como o trabalho em comunicação é super dinâmico, estamos passando constantemente por reformulações e, nesse momento, estou colaborando com o que chamamos aqui de Editoria de Abertura que tem a missão de começar o planejamento do que o jornal vai publicar no dia seguinte na nossa seção sobre as notícias de Salvador.
Está sendo uma experiência nova e fantástica para mim, mas que demanda muito, muito trabalho. Quando termino, confesso para vocês que muitas vezes já estou sem condições de escrever na qualidade que este blog merece. Portanto, mais uma vez peço um pouquinho da paciência de vocês, pois meu principal objetivo é manter esse canal que tem sido tão importante para todos nós que vivemos e estamos envolvidos com as questões de identidade e cultura afro-brasileira.
Prometo que vou estar aqui sempre que for possível. Hoje, por exemplo, posto com atraso, mas com a certeza que é sempre bemvindo, o artigo de Mãe Stella.
Para começar o fim de semana com jeito de bamba
postado por Cleidiana Ramos @ 5:54 PMNo dia do samba, nada melhor do que começar o final de semana ouvindo essas vozes de ouro que já partiram, mas continuam eternas: Clementina de Jesus e Clara Nunes. Cliquem aqui para assistir.
Amigas e amigos do Mundo Afro: se tiver alguém da área de web designer, a ONU Mulheres está selecionando profissionais que dominem essa habilidade. Vejam o termo de referência abaixo e corram, pois o período para participar da seleção encerra-se na sexta-feira.
A ONU Mulheres Brasil e Cone Sul recebe, até 2 de dezembro, a apresentação de propostas webdesigners para o desenvolvimento de produtos de comunicação institucional para a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas. A contratação é dirigida a profissionais da Bahia, tendo em vista que as consultorias serão prestadas na cidade de Salvador.
A avaliação das propostas obedecerá ao critério de menor preço global, desde que atendam completamente as especificações do serviço de acordo com os termos de referência. As cotações serão recebidas pela ONU Mulheres até 2 de dezembro de 2011. Deverão ser enviados currículo vitae, constando duas pessoas de referência. Eventuais dúvidas serão respondidas até as 12h do dia 1º de dezembro de 2011 por meio do e-mail danielle.valverde@unwomen.org
Termo de Referência – Webdesigner (Pessoa Física)
Contratação de um/a profissional (Web Design ou Web Developer) para construir website institucional da FENATRAD – Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, incluindo a publicação de todos os conteúdos iniciais em todas as áreas do site e treinamento de integrante(s) da Federação para a gestão de conteúdos do website.
Data limite de apresentação de propostas: 2 de dezembro de 2011
Maria Stella de Azevedo Santos
Na antiguidade, os reis, faraós, enfim, pessoas que tinham como incumbência governar um país, ou até mesmo um império, eram consideradas uma espécie de divindade na Terra, uma vez que a missão que lhes fora dada, de tão importante, fazia delas um escolhido de Deus. Eram reis sacerdotes que, através de inspirações divinas, guiavam seu povo cuidando para que cada um tivesse uma vida material digna, a fim de que pudesse realizar a caminhada espiritual em busca da perfeição. Creio ser também um rei sacerdote o compositor/cantor Roberto Carlos, que no último dia 18 fez de seu show um verdadeiro ambiente de oração, deixando nossas mentes e corações leves, fazendo nascer ou renascer o forte desejo de sermos pessoas melhores e conservarmos o bem que nos foi legado por Deus.
Há pessoas que vinculadas a uma determinada prática religiosa adquirem o “status” de sacerdotes, tendo a responsabilidade de dirigir cultos; há outras, porém, que já nascem sacerdotes e usam o dom que lhes foi dado para com ele transmitir esperança, força e sabedoria. Tal é o caso de Roberto Carlos que com sua fé contamina a todos. Suas músicas têm o poder de fazer com que nos aproximemos do sagrado, mesmo estando fora de um templo. Se a melodia delas eleva nossas almas, as letras nos proporcionam verdadeiras lições para um bem viver. Afinal, “é preciso saber viver”, pois “quem espera que a vida seja feita de ilusão pode até ficar maluco ou morrer na solidão”. Ele nos leva a refletir que o amor deve ser o guia maior de todos os comportamentos, inclusive o sexual, e demonstra ao cantar o sexo de maneira poética a beleza deste ato que, na maioria das vezes, é tratado com vulgaridade.
São belas as mensagens e são belíssimos os exemplos de sensibilidade do cantor em questão, como é o caso da canção feita para sua mãe Lady Laura, que ajuda a todos os filhos a perceberem a importância da presença de uma mãe. Roberto Carlos também nos alerta sobre a necessidade de nos mantermos conectados com o divino: “Olho pro céu e vejo uma nuvem branca que vai passando, olho pra Terra e vejo a multidão que vai caminhando, como essa nuvem branca essa gente não sabe aonde vai, quem saberá dizer o caminho certo é você meu Pai”. Isso é uma verdadeira oração, feita por uma pessoa que não consentiu que os holofotes da fama dessem brilho a seu ego, de modo a ofuscar sua espiritualidade. Uma pessoa humilde que, reconhecendo sua frágil natureza humana, implora a Nossa Senhora sua permanente proteção: “Nossa Senhora me dê a mão, cuida do meu coração, da minha vida, do meu destino, do meu caminho, cuida de mim”. Possuindo uma visão comunitária, de quem entende que a humanidade nada mais é do que uma grande corrente, ele também pede proteção para seus irmãos em Deus: “Grande é a procissão a pedir, a misericórdia, o perdão, a cura do corpo e da alma, a salvação. Pobres pecadores, oh Mãe, tão necessitados de vós, Santa Mãe de Deus tem piedade de nós. De joelhos aos vossos pés, estendei a nós vossas mãos. Rogai por todos nós, vossos filhos, meus irmãos”.
Tudo o que foi dito anteriormente, confirma o título de rei que foi dado pelo povo a Roberto Carlos, que está sabendo dignificá-lo muito bem. Como o nosso país é uma República, o que faz com que não tenhamos reis como governantes, esperamos que as pessoas eleitas democraticamente, para dirigir os destinos de nosso país, sejam sensíveis para reconhecer que uma tão importante tarefa só pode ter sido inspirada ao povo por uma força “Maior”. Sendo assim, cabe aos governantes lembrar-se que têm por obrigação prestar contas de seus atos não apenas ao povo que os elegeu, mas também a Deus. Se os governantes tem esse dever, por sua vez seus governados devem assumir o compromisso de fortalecê-los em uma corrente de emanações positivas, para que a árdua tarefa que lhes fora confiada possa ser cumprida de maneira que satisfaça a toda uma coletividade. Que os governantes, portanto, consigam ver em cada governado um filho seu e que cada governado enxergue em seu governante um ser humano com sentimentos como ele.
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá
Ana Célia recebe medalha Zumbi dos Palmares
postado por Cleidiana Ramos @ 3:56 PMJá começo parabenizando a vereadora Olívia Santana (PCdoB) pela iniciativa: Amanhã, terça-feira, 22, a educadora Ana Célia Silva recebe a Medalha Zumbi dos Palmares, em solenidade que será realizada na Câmara Municipal de Salvador.
Ana Célia é uma das figuras mais emblemáticas da luta contra o racismo no Brasil e numa área estratégica que é a educação. Ela merece essa e muitas outras homenagens.
Doutora na área, Ana Célia tem contribuído, sobretudo, para o alerta sobre a necessidade de desconstruir estereótipos sobre a população negra nos livros didáticos.
Membro titular do Conselho Estadual de Cultura, ela é autora dos livros como “A Representação Social do Negro no Livro Didático: O que mudou? Por que mudou?” e “A Discriminação do Negro no Livro Didático e Desconstruindo a Discriminação do Negro no Livro Didático”
A medalha Zumbi dos Palmares é uma honraria concedida a pessoas, grupos ou entidades que se destacam em diversos âmbitos da sociedade, na luta pelo combate à prática do racismo e a favor da cultura afro-brasileira.
Dendê para festejar Novembro Negro e Afro XXI
postado por Cleidiana Ramos @ 5:23 PMPessoal: primeiro o meu pedido de desculpas por ter andado ausente, mas foi por um bom motivo. Eu estava às voltas com a produção do especial Epo Pupa- a marca do dendê, o nosso nono caderno em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra. Foram dias de muito esforço, trabalho em excesso, mas para um resultado gratificante.
Além de belas reportagens,imagens e infográficos, o especial teve a sua circulação antecipada para hoje por conta da condição de Salvador como sede do Afro XXI (Encontro Iberoamericano do Ano Internacional dos Afrodescendentes).
Outra novidade foi que o nosso especial saiu em inlgês. As dicas pedagógicas, elaboradas pela especialista em Educação, Josiane Clímaco, também foram mantidas. Vejam tudinho clicando aqui.
Terreiros do Engenho Velho marcham contra a intolerância
postado por Cleidiana Ramos @ 8:03 PMPessoal tá chegando a hora: na próxima terça-feira é dia de botar a roupa branca, pois a partir das 14 horas, os terreiros das religiões de matriz africana do Engenho Velho da Federação realizam a VII Caminhada contra a violência,a intolerância religiosa e pela paz.
O ponto de encontro será no final de linha do bairro, na Praça Mãe Ruinhó. Com o tema Sou de Candomblé, e você?, a atividade defende o respeito à liberdade de crença que está prevista na Constituição Federal.
Um dos bairros de Salvador onde a identidade negra é uma das suas principais características, o Engenho Velho da Federação reúne terreiros de variadas vertentes das religiões afro como candomblé, umbanda e culto aos caboclos.
A primeira caminhada aconteceu em 2004 como repúdio aos ataques que esses templos vinham sofrendo de representantes de confissões evangélicas.
Além de líderes das religiões afro-brasileiras, a caminhada reúne diferentes organizações da sociedade civil que atuam no combate às desigualdades sociais e simpatizantes da causa.
Balaio de Ideias: Olhos magros: uma nova tendência
postado por Cleidiana Ramos @ 12:53 PMMaria Stella de Azevedo Santos
A minha função espiritual faz de mim uma intermediária entre o humano e o sagrado e para exercê-la da melhor maneira possível tenho como instrumento o Jogo de Búzios. Pessoas de diferentes idades, raças e até mesmo credos, buscam a ajuda desse oráculo. Surpreende-me o fato de que uma grande parte dos que me procuram sente-se vítimas de inveja.
Engraçado é que nunca, nem um só dia sequer, alguém chegou pedindo-me ajuda para se libertar da inveja que sentia dos outros. Será que só existem invejados? Onde estarão os invejosos? E o pior é quando consulto o oráculo e ele me diz que os problemas apresentados não são decorrentes de inveja, a pessoa fica enfurecida.
Percebo logo que existe ali uma profunda insegurança, que gera uma necessidade de autovalorização. Se isso ocorresse apenas algumas vezes, menos mal, o problema é que esse comportamento é uma constante. Isso me leva a pensar que cada pessoa precisa olhar dentro de si, tentar perceber em que grau a inveja existe dentro dela, para assim buscar controlar e emanar este sentimento, de modo que ela não venha a atuar de maneira prejudicial ao outro, mas principalmente a si, pois qualquer energia que emitimos, reflete primeiro em nós mesmos.
Uma fábula sobre a inveja serve para nossa reflexão: Uma cobra deu para perseguir um vagalume, cuja única atividade era brilhar. Muito trabalho deu o animalzinho brilhante à insistente cobra, que não desistia de seu intento. Já exausto de tanto fugir e sem possuir mais forças o vagalume parou e disse à cobra: – Posso fazer três perguntas? Relutante a cobra respondeu: – Não costumo conversar com quem vou destruir, mas vou abrir um precedente. O vagalume então perguntou: -Pertenço à sua cadeia alimentar?- Não, respondeu a cobra. – Fiz algum mal a você-?- Não, continuou respondendo a cobra.- Então por que me persegue?- perplexo, perguntou o brilhante inseto. A cobra respondeu: – Porque não suporto ver você brilhar, seu brilho me incomoda.
Ingênuas as pessoas que pensam que o brilho do outro tem o poder de ofuscar o seu. Cada um possui seu brilho próprio, que deve estar de acordo com sua função. Existem até pessoas cujas funções requerem simplicidade, onde o brilho natural só é percebido através do reflexo do olhar do outro.
Lembro-me de uma garotinha de apenas 10 anos de idade que a mãe me procurou para ajudá-la, pois ela ficava furiosa quando não tirava nota dez na escola. Comportamento que fazia com que seus coleguinhas se afastassem dela. Algumas tardes eu passei conversando com a garota. Um dia ela chegou me dizendo que não aparesentava mais o referido problema, que até tirou nota dois e não se incomodou.
Fiquei muito feliz, cheguei mesmo a ficar vaidosa, pois acreditei que aquela nova atitude era resultado de nossas conversas. Foi quando ela me disse:- Sabe por que não me incomodei de tirar nota dois, Mãe Stella? Ansiosa, perguntei:- Por que? Ao que ela me respondeu: – Porque o resto da turma tirou nota um. Rimos juntas da minha pretensa sabedoria de conselheira e do natural instinto de vaidade que ela possuía e que muito trabalho teria para domá-lo. O desejo que a garota possuía de brilhar mais do que os outros, com certeza atrairia para ela muitos problemas. Afinal, ela não queria ser sábia, ela queria ser vista.
O caso contado anteriormente fez lembrar-me de outro que eu presenciei, onde uma senhora repleta de ouro insistia em me dizer que as pessoas estavam olhando para ela com inveja. Cansada daquele queixume, disse-lhe que quem não quer ser visto, não se mostra.
A inveja é popularmente conhecida com olho gordo. Se não queremos ser atingidos pelo olho gordo do outro, devemos cuidar para que que nossos olhos emagreçam, não deixando que eles cresçam com o desejo de possuir o alheio. Já que fazemos dieta para nossos corpos serem saudáveis, devemos também fazer dieta para nossos olhos, pois eles refletem a beleza da alma. A tendência agora é, portanto, olhos magrinhos, mas não anoréxicos, pois alguns desejos eles precisam ter, de preferência desejos saudáveis.
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá
O ator do Bando de Teatro Olodum, Jorge Washington, recebeu, ontem, na Câmara Municipal, a medalha Zumbi dos Palmares. Festa dupla e mais que merecida para Jorge que fez aniversário na última segunda-feira.
Além de talento, Jorge tem carisma de sobra, além de ser um dos mais eficientes soldados do exército da luta contra o racismo. Comemoremos juntos com ele.
Começa hoje aquecimento para VII caminhada dos terreiros do Engenho Velho da Federação
postado por Cleidiana Ramos @ 1:54 PM
Caminhada do ano passado reuniu representantes dos vários terreiros do bairro. Foto: Raul Spinassé/ 15/11/2010
A sétima edição da Caminhada contra a Violência, a Intolerância Religiosa e pela Paz chega com novidades. Eventos preparatórios vão ser realizados até o dia 15 de novembro quando acontece a marcha organizada pelas comunidades afro religiosas do Engenho Velho da Federação.
Hoje, por exemplo, tem o lançamento do “Projeto Novembro do Engenho velho da Federação: Território Sagrado da Cultura Negra”, a partir das 19 horas no Terreiro Ilê Axé Alarabedé, comandado pelo babalorixá Valdemar de Ogum e localizado na Rua Francisco, 46.
O lançamento vai contar com palestras de Makota Valdina Pinto do Terreiro Tanuri Junçara; Egbomi Sandra Bispo do Terreiro Oxumarê e do Ogã Valdélio Silva do Terreiro do Cobre. A mediação será feita pela omorixá Isabele Sanches do Terreiro do Cobre.
Essa caminhada já se tornou um dos mais importantes eventos do mês de novembro e agora com essas novidades vai ser ainda mais forte.
Seminário homenageia sabedoria de Mãe Zulmira
postado por Cleidiana Ramos @ 1:09 PMPessoal: tem evento muito importante essa semana. O Terreiro Tumbenci e a Associação Beneficente e Recreativa Santa Bárbara Virgem realizam na próxima quinta-feira (27), o evento “Conferências Mãe Zulmira de Nanã “. No programa um bate papo sobre a religiosidade afro-brasileira, com ênfase no candomblé congo-angola.
O encontro será a partir das 16h, no Auditório Kátia Mattoso, da Biblioteca Pública da Bahia, Barris. O seminario comemora os 70 anos de iniciação da mameto kwa nkisi Zulmira Santana França.
Mãe Zulmira comanda desde o final dos anos 50 o Terreiro Tumbenci, herdado de Marieta Beuí, que antes ficava no bairro de Cosme de Farias, e hoje funciona em Lauro de Freitas, na região de Vilas do Atlântico.
Dentre os conviados estão o mestre Jaime Sodré; o cantor e compositor Tiganá Santana; Tata Konmmanjy; Arany Santana e eu também vou dar uma palhinha por lá.
Serviço:
Evento: Conferências Mãe Zulmira de Nanã
Tema: O candomblé congo-angola e a religiosidade afro-brasileira: muita história pra contar
Local: Biblioteca Pública da Bahia- Auditório Kátia Mattoso
Endereço: Rua General Labatut, s/n, Barris ( Salvador – Bahia)
Dia: 27 de outubro de 2011, das 16h às 18h
Aberta ao Público ( Entrada Franca)
Colaboração: Marlon Marcos
O primeiro comentário respondendo quem é o autor da peça “Namíbia, não!”, ganha um par de ingresso para assistir o espetáculo no domingo às 20 horas no Teatro Módulo (Av. Professor Magalhães Neto, Costa Azul).
Detalhe: a vencedora ou vencedor tem que retirar o par de ingressos até o meio-dia de amanhã na portaria do jornal A TARDE (Rua Milton Cayres de Brito, Caminho das Árvores. Ponto de referência: em frente à Casa do Comércio). Corram! Dou o resultado ainda hoje à noite.
Lembrem-se que as respostas devem vir acompanhadas de nome completo, endereço, e-mail e telefone de contato, informações que, claro, não serão divulgadas.
A promoção é uma gentileza da editoria que prepara o Caderno 2+.
Seminário discute ferramentas do direito para combater preconceito
postado por Cleidiana Ramos @ 4:04 PM
Na próxima segunda (24), às 19 horas, acontece a abertura do seminário Direito como Instrumento de Combate aos Preconceitos. O ciclo de debates acontecerá na Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus e na reitoria da Ufba (Canela).
A palestra de abertura intitulada “A obrigação constitucional do Estado no combate aos preconceitos” será proferida pelo ex-ministro da Defesa e ex-governador da Bahia, Waldir Pires.
De terça até quarta-feira as atividades vão começar a partir das 8 horas. O seminário é uma iniciativa do Espaço Cultural Expogeo, ong especializada na defesa dos direitos humanos, com a parceria de mais de 50 instituições incluindo as universidades Ufba, Ifba, Uneb, Uefs e Uneb, governo da Bahia, dentre outras.
Mais informações e inscrições por meio dos telefones: (71) 3235-6002 / 3337-0717.
ONU seleciona jornalistas para consultoria
postado por Cleidiana Ramos @ 3:49 PMAtenção colegas jornalistas: a ONU Mulheres está selecionando um profissional da área para uma consultoria direcionada à Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD).
Tem também uma vaga para web designer. As vagas são direcionadas para profissionais residentes em Salvador.
Para mais informações cliquem aqui.
Amanhã também é dia de homenagens na Câmara Muncipal. O presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santo do Ilê Axé Opô Afonjá, ogã Ribamar Daniel,vai receber o título de Cidadão de Salvador,
A cerimônia será às 19 horas. Ribamar é uma figura que merece todas as homenagens. Além de transbordar simpatia, é sempre solícito para atender as demandas em benefício do Afonjá e também de outros terreiros.
Amanhã, a partir das 16 horas, no Quartel do Comando Geral, Largo dos Aflitos, acontecerá a comemoração dos seis anos de criação do Núcleo Afro da Polícia Militar (Nafro-PM). A data será marcada por uma cerimônia religiosa de matriz africana.
O evento terá a participação do coronel Alfredo Castro, comandante geral da Polícia Militar (PM); do secretário estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Elias Sampaio; do secretário municipal da Reparação, Ailton Fereira; de representantes dos terreiros de Salvador e de ONGs.
O Nafro-PM tornou-se uma referência. Surgido a partir do questionamento de religiosos de matriz africana da corporação por não possuir representatividade num seminário temático, o grupo já serviu de inspiração para organizações semelhantes no Exército e na PM de São Paulo. Portanto, é mais do que motivo para comemorar.
Contagem regressiva para o fim de semana
postado por Cleidiana Ramos @ 7:10 PMNada melhor do que a bela voz de Juliana Ribeiro para esperar o fim de semana. Juliana é um dos novos talentos da boa música com um futuro ainda mais brilhante do que está sendo o seu presente.
http://www.youtube.com/watch?v=L8H4NyIpWN8
Lançamento do livro de Mãe Valnizia é amanhã
postado por Cleidiana Ramos @ 11:02 AMMeire Oliveira
História contada pelas próprias mãos. A premissa é a motivação da yalorixá Valnísia de Aiyrá,que lança o segundo livro, Aprendo Ensinando: experiências num espaço religioso, amanhã, às 18 horas, na Praça de Oxum do Terreiro da Casa Branca,Av. Vasco da Gama, 463.
Dois anos depois de iniciar o registro de sua trajetória em Resistência e Fé: fragmentos da vida de Valnízia de Aiyrá, de 2009, falando sobre pessoas que fizeram parte da sua vida, como a infância e a sua iniciação religiosa, a líder espiritual do Terreiro do Cobre, na nova obra,l ançada no dia do seu odún (data de iniciação), conta seu processo de aprendizagem com os erros, acertos, trocas e observações ao longo da formação e crescimento da família de axé.
A narração detalhada das situações com as dificuldades e êxitos demonstra a segurança de quem sabe e sente o que escreve, típico da experiência adquirida na academia da vida de onde faz questão de ser eterna aluna. Essa transparência é traduzida nas 100 páginas de discurso leve como uma conversa, tornando o leitor um amigo.
Desde o primeiro iniciado, Mãe Val conta a chegada e trajetória decadafilhoqueXangôdelegou a vida espiritual aos seus cuidados até hoje. Depois da primeira publicação, Mãe Val amplia o legado aos seus filhos e religiosos do Terreiro da Casa Branca (o mais o mais antigo terreiro da nação ketu no Brasil), onde foi iniciada.
O fato de conhecer detalhes de sua história por pesquisas antropológicas incomodou a sacerdotisa, que é tataraneta da africana Margarida de Xangô, que se instalou na Barroquinha,e bisneta de Flaviana Bianc de Oxum, que trouxe o Cobre para o Engenho Velho da Federação.
“Quero que meus filhos e os filhos e netos deles conheçam sua ancestralidade e o motivo de estar noTerreiro do Cobre por mim”. Convicta da importância de repensar suas ações, fazer o melhor e mudar no que for necessário,a autora abre espaço para filhos e amigos que expressam opiniões sobre o terreiro e sua líder em poesias e depoimentos. Atitude que revela a consciência do significado do registro na religião, que tem a oralidade e a vivência como meios básicos de repasse de conhecimento,e a consciência de ter muita história para contar.
Para tornar este fim de semana ainda mais empolgante, vai aqui um vídeo de Sandra de Sá no embalo engajado de Olhos Coloridos. Beleza Pura.
Balaio de Ideias: A mística das antigas brincadeiras infantis
postado por Cleidiana Ramos @ 4:32 PMMaria Stella de Azevedo Santos
Muito me assustou ouvir pela televisão que crianças de apenas quatro anos de idade já estão sendo levadas aos consultórios médicos com: dores nos músculos, articulações e nervos decorrentes de esforços repetitivos pelo uso excessivo e sem disciplina de aparelhos eletrônicos; dores na coluna por uso de sapatos inadequados para a idade, sapatos com saltos que causam desajustes no esqueleto ainda em formação; obesidade, diabetes e pressão alta por falta de movimentos físicos. Se o moderno estilo de vida é excelente para o desenvolvimento cerebral das crianças, o mesmo não é possível dizer em relação a um correto e saudável desenvolvimento físico e psicológico.
Tarefa nada fácil é permitir que as crianças sejam crianças, diante do apelo da sociedade moderna que tem a seu favor um rico sistema de propaganda e comércio. Como impedir que uma criança calce sapatos de salto alto, se nem são mais encontrados nas lojas calçados adequados para esta fase do desenvovimento. O que antes era uma brincadeira que preparava a entrada no mundo adulto, hoje vestir-se como os pais tornou-se uma regra, que mal nenhum teria se não afetasse a saúde física e psíquica dos pequenos. É de conhecimento de todos que maquiagem, ou melhor, produtos químicos em geral estragam a pele, as unhas, os cabelos; que não respeitar a fases de desenvolvimento faz com que as crianças amadureçam antes do tempo. E a fruta e o ser humano só são bons quando lhes é permitido amadurecerem naturalmente.
Nada adianta ficarmos relembrando o passado com saudosismo. É impossível pararmos a marcha do tempo. O melhor é respeitarmos o seu caminhar e nos adaptarmos a ele. Também não podemos e nem devemos acreditar que temos mais poder do que a sociedade na criação de nossos filhos. Dou, então, minha colaboração relembrando algumas brincadeiras infantis que coloboram para um perfeito desenvolvimento global das crianças. Mas, relembrar apenas não me parece suficiente, pois creio que nenhum pai e nenhuma mãe se esqueceram das brincaderias que tanto lhes deram prazer. Se não as transmitem para os filhos creio que seja porque não encontram não apenas tempo, mas também espaço.
Diante desta reflexão, parece que os espaços de diversão e de convívio entre os pequenos ficam sendo as escolas, para quem, então, transmito ensinamentos pouco ou nada divulgados ao grande publico, por serem eles conhecimentos iniciáticos, que encontram apenas agora o momento ideal para serem compartilhados. Não sendo a minha intenção colocar mais uma tarefa nas mãos dos professores, mas sim conhecendo a grandiosa missão que ocupam no mundo e a imensa capacidade de doação que possuem, eu tentarei transmitir para eles o significado místico, isto é misterioso, de algumas brincadeiras que eles “curtiram”.
· Cabra-cega, que fala da paixão, mostrando que os apaixonados agem por instinto, que termina por deixá-los tontos e cegos perante as escolhas que fazem na vida.
· Macaquinho ou Amarelinha fala da jornada humana que vai do “inferno” ao “céu”, passando o caminhante por diversos obstáculos, representado pela casca de banana, os quais podem derrubá-lo, atrapalhando e atrasando sua caminhada.
· Anelzinho, objeto que representa um compromisso firmado e que por isto dá nome à brincadeira que surge para demonstrar a necessidade que todos têm de assumir alguém como mestre, atitude que implica em que se tenha humildade sufiente para entender que sempre existe alguém mais apto do que nós.
· Boca-de-forno é outro tipo de diversão infantil que fala dá relação mestre-discípulo, neste caso para relembrar a importância da obediência irrestrita àquele que o universo destinou como orientador.
Fico aqui pedindo que Ibeji, os orixás gêmeos que são crianças, estimulem os adultos de maneira que possam orientar os pequeninos para que sejam disciplinados, sem perderem o direito de serem traquinas. E que no mês de outubro as crianças brinquem, brinquem, brinquem… utilizando-se de formas de brincar que não apenas ajudem a organizar suas mentes, mas também seus corpos físicos e espirituais.
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá
Novo livro de Mãe Valnizia já está pronto
postado por Cleidiana Ramos @ 5:08 PMMãe é sempre motivo de orgulho e quando elas ultrapassam as nossas expectativas ainda mais. Assim é com a minha mãe espiritual, a ialorixá Valnizia de Ayrá, que não para de supreender.
Quando ainda estamos em festa com o lançamento de sua bela autobiografia intitulada Resistência e fé, eis que ela nós dá outro presente: Aprendo ensinando: experiências num espaço religioso.
No novo livro, ela conta as historias originadas da sua relação com os seus filhos espirituais do Terreiro do Cobre e também da sua vivência na Casa Branca do Engenho Velho, o mais antigo terreiro de nação ketu do Brasil, onde fez sua consagração religiosa.
O lançamento será no dia 12 de outubro, a partir das 18 horas, na Praça de Oxum no Terreiro Casa Branca.
Volto, claro, a falar mais do livro, logo, logo.
Hora de reverenciar a beleza da infância
postado por Cleidiana Ramos @ 5:34 PMAmanhã é dia de festa para São Cosme e São Damião. Na Bahia, o culto aos santos católicos encontrou a festa para os ibejis, que representam a infância divinizada no candomblé.
Daí que mesmo que a biografia dos santos católicos não confirme se realmente eram gêmeos e os aponte como adultos, no imaginário popular eles assumiram as características dos orixás meninos.
Portanto, amanhã é dia de comida farta aos pés de Cosme e Damião: caruru, vatapá, pipoca, rapadura, milho, arroz, galinha de xinxim, feijão fradinho, feijão preto, cana e outras iguarias, além de doces, muitos doces.
Sempre recordo do antropólogo e professor da Ufba, Ordep Serra que, em sua dissertação de mestrado sobre erês, se ocupou também dos ibejis.
Como aponta o professor Ordep, o caruru é um rito voltado para a purificação, mas feita de forma lúdica. Quem oferece o caruru tem que ficar no centro da roda dos meninos para que eles, depois de comerem, limpem as mãos na roupa do anfitrião que fica purificado das energias negativas.
Sem falar que os meninos comem de mão e podem fazer a algazarra que desejarem. É uma festa para deixar que a criança existente dentro de cada um de nós fique à vontade.
Então é hora de aproveitar e viva o culto tanto aos orixás meninos como aos santos gêmeos nesse ambiente de quem aprendeu a respeitar a riqueza e a beleza da crença do outro.
CEF retira vídeo com Machado de Assis representado por branco
postado por Cleidiana Ramos @ 5:48 PMA Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou a retirada de um comercial sobre a sua caderneta de poupança por conta de um erro histórico. O escritor Machado de Assis, que era negro, foi representado no vídeo por um ator branco. Além disso, a instituição pediu desculpa aos movimentos negros.
Durante muito tempo cogitou-se que o escritor foi omisso em relação à escravidão e às relações interraciais do Brasil no período em que viveu, mas estudos como o intitulado Machado de Assis afro-descendente: escritos de caramujo (antologia), de autoria de Eduardo de Assis Duarte, traz elementos para reavaliar esse tipo de ideia sobre um dos grandes nomes da literatura brasileira.
Confiram o vídeo com a propaganda da CEF cliando no link:
watch?v=10P8fZ5I1Wk.
Para saber mais sobre a decisão da Caixa clique aqui.
Neim abre inscrições para pós-graduação sobre gênero
postado por Cleidiana Ramos @ 4:55 PM
Interessados por estudos sobre mulheres tem chance de concorrer a vagas para pós-graduação. Foto: Alexandro Auler/JC Imagem/AE
Atenção pesquisadoras e pesquisadores da área de gênero. Já estão abertas as incrições para a seleção do programa de Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM), que é vinculado ao Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim) da Ufba.
Criado em 2005, o PPGNEIM oferece cursos de mestrado e doutorado. As inscrições vão até o dia 20 de outubro.
Para mais informações clique aqui . Contatos: ppgneim@ufba.br
Cabaré da Rrrraça volta em longa temporada
postado por Cleidiana Ramos @ 6:25 PMNovidade para os fãs de Cabaré da Rrrraça e dever obrigatório de quem ainda não viu o espetáculo que é encenado pelo Bando de Teatro Olodum há 14 anos: a partir de hoje, às 20 horas, a peça será encenada todas as terças-feiras, no Teatro Vila Velha.
Segundo Jorge Washington, ator do Bando, a encenação vai prosseguir até que o racismo acabe.
Os ingressos para o espetáculo, que usa o humor para discutir o racismo, custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
















